Allan Mesquita comemora 40 anos

Aos 40 anos Allan Mesquita ainda mostra muito base no skate, prova disso é esse rock'n roll no muro

Aos 40 anos Allan Mesquita ainda mostra que tem muito skate no pé, prova disso é esse rock’n roll no muro

Sabe aquela história de se tornar skatista profissional, viajar, conhecer pessoas e viver do skate? Pois é! Allan Mesquita é um desses felizardos que conquistou seu lugar ao sol através do skateboard. Nas ruas de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, ele deu seus primeiros passos em direção ao que marcaria para sempre seu estilo e essência de vida. Através do skate Allan lapidou não apenas manobras, mas, ao longo dos 27 anos de carreira, moldou suas ideias e disseminou por diferentes lugares a filosofia do que é ser skatista. Hoje ele comemora seus 40 anos de vida ainda empenhado em levar o skate cada vez mais longe, sempre manobrando e com o mesmo espírito jovem e transformador que o ajudou a consolidar uma carreira de sucesso.

Allan este mês você completa 40 anos e tem mais de 20 anos de skateboard, com um skate muito ativo, participando de eventos nacionais, com histórico de participação em competições internacionais, partes de vídeos, participação em filmes dentre tantas outras conquistas. Quando e como começou tudo isso? Como o skate entrou na sua vida?

O skate começou com a cena clássica de uma criança que vê um bom skatista surpreender com manobras nunca vistas até então. Me aprofundei na cultura e decidi seguir a filosofia. São 27 anos trilhando neste caminho. A sensação de ser skatista cresce a cada ano que passa, de aproveitar cada manobra em uma espécie de conexão divina que aumenta a cada session.

Matéria na ed 217 da Tribo Skate sobre os mais de 100 mil pares vendidos do pro model Allan Mesquita

Capa e parte da matéria na edição 217 da Tribo sobre os mais de 100 mil pares vendidos do pro model Allan Mesquita

Você é um skatista que tem facilidade em andar em diferentes terrenos e isso te ajudou a lapidar seu estilo de skate e a levá-lo a diferentes lugares e públicos. Como você acredita que isso reflete na sua forma de enxergar o skate e de passar essa essência para as pessoas, sejam elas do skate ou não?

Sempre segui minha intuição de andar no gás me preocupando com a plasticidade das manobras. Com isso despertava o interesse principalmente dos leigos que sempre admiravam meu trabalho. Entre os skatistas, percebia que as modas vinham e passavam. Formas de se vestir, manobras do momento e eu não ligava muito pra isso. Queria mesmo era vento no rosto e voar. O aprendizado é que realmente vale a pena ser verdadeiro e seguir o que vem do coração, acreditando que na hora certa alcançará sua meta.

De tudo que você já viveu e já fez pelo skate brasileiro, qual ou quais foram os momentos que mais te marcaram durante esses anos de carreira?

O que marcou foi viajar por muitos lugares e conhecer pessoas incríveis e inspiradoras. As tours da QIX que levava o skate profissional aos quatro cantos do país, com belas apresentações e muita diversão pra molecada. Eram dias especiais.

Allan durante documentário Skate na Amazônia (Foto: Jerri Rossato)

Allan durante documentário Skate na Amazônia em 2013 (Foto: Jerri Rossato)

Com certeza um dos marcos da sua história foi a construção do skate park Allan Mesquita em Cabo Frio, no Rio. Conta, como surgiu esse projeto?

A ideia surgiu da necessidade que tinha de andar de skate quando ia visitar a cidade, formulei uma petição e encaminhei na Prefeitura. Tinha alguns amigos que trabalhavam lá dentro e foi quando começou o lobby pra construção de uma boa pista. Recebi a notícia que iriam construir, mas só acreditava vendo. As obras começaram e ainda fui homenageado ao emprestar meu nome pra pista. A nova administração assumiu e em oito meses a pista foi demolida com a promessa da construção de uma ainda maior e melhor. Foi uma espera de mais um ano e, realmente, construíram uma excelente pista onde novamente recebi a homenagem. Uma grande conquista pessoal e para o skate da cidade.

Back Flip durante

Back Flip durante RedBull Batalha no Forte em Salvador 2006

Você é um dos poucos skatistas brasileiros a mandar o back flip, uma de suas manobras características. Conta aí, de onde veio a ideia para tentar essa manobra, quando e onde foi o primeiro acerto?

Desde moleque era acostumado a pular das pedras no mar de tudo quanto é jeito e também descer as dunas executando “mortais”, com isso acreditava que dominava o giro e tinha certeza que não ia me matar, caindo de cabeça. Fui experimentando, tive a coragem de tentar e, de imediato, percebi que poderia fazer. A primeira vez que acertei foi na pousada Hi Adventure, em Florianópolis – SC.

Allan, você é um verdadeiro representante do skate brasileiro e valoriza as ações e iniciativas nacionais. De que forma você acredita ter contribuído ao longo dos anos para a evolução do skate e da nova geração de skatistas no Brasil?

Nunca pensei em sair do Brasil pra vencer no skate, sempre tive bons parceiros por aqui, a QIX sempre me deu um bom suporte pra viver do skate com dignidade. Foram inúmeras viagens por muitos anos pelo Brasil, tendo contato com muita gente. Sempre com atitude e boa conduta ao lidar com todos. Com isso criamos uma rede de bons relacionamentos, prosperando juntos.

Evento Madureira, Rio de Janeiro (Foto: Jerri Rossato)

Evento Madureira, Rio de Janeiro (Foto: Jerri Rossato)

Falando em nova geração, como é sua relação com a molecada que está começando agora. Afinal o ritmo e a velocidade que as coisas acontecem no skate atualmente são bem diferentes de dez, quinze anos atrás e, apesar de  você ser de uma geração anterior, continua muito ativo e conectado com a galera. Como você lida com isso?

Eles me inspiram, a evolução rápida me surpreende e motiva. Penso que ainda posso manter alto o nível de skate, por cuidar bem da saúde e estar totalmente envolvido no dia a dia.

Sessão descontraída com galera do Rio Grande do Sul

Sessão descontraída entre diferentes gerações no Rio Grande do Sul

Sua relação com a QIX já vem de muito tempo e se consolida com projetos, ações e uma forte relação de parceria. E uma das marcas dessa relação foi o recorde de vendas do seu pro model de tênis, que superou os 100 mil pares. A que você credita esse reconhecimento do mercado?

O sucesso se deve ao bom trabalho que a QIX desenvolve durante os últimos 20 anos. Acreditou que juntos poderíamos abrir as portas pra outros também alcançarem. Logo após do anúncio desses números vi que todas as outras marcas seguiram a tendência. Fico feliz em saber que fui o pioneiro.

Pro model Allan Mesquita ultrapassa a marca dos 100 mil pares vendidos

Pro model Allan Mesquita ultrapassa a marca dos 100 mil pares vendidos

O que representa para você chegar aos 40 anos de idade, ter conquistado várias coisas através do skateboard, viver do skate e continuar com toda essa base?

Representa um sentimento de satisfação e realização de ter acreditado quando tudo indicava o fracasso.

Depois de tantos anos manobrando nas pistas, rua, junto com amigos, em eventos e de ter visto e participado de tanta coisa, o que você pretende fazer que ainda não teve tempo ou não deu para fazer?

Pretendo continuar manobrando e sempre preparado pra próxima session. Hoje tenho muito mais a agradecer do que para pedir. Então, a vontade mesmo é seguir em paz, ajudando na evolução do skate, contribuindo com minha experiência e vivência.

Fs heelflip grab em La Kantera, País Basco, Espanha (Foto: Oskar Sueiro)

Fs heelflip grab em La Kantera, País Basco, Espanha (Foto: Oskar Sueiro)

Agradecimentos:

Agradeço a minha família por estarmos sempre juntos, a QIX por acreditar no meu trabalho e aos meus amigos por compartilhar grandes momentos. Sintam-se todos abençoados.

 

Confira mais alguns momentos vividos por Allan Mesquita ao longo de sua carreira.

Allan Mesquita Skate Park em Cabo Frio - RJ (Foto: Arquivo pessoal/ Facebook)

Allan Mesquita Skate Park em Cabo Frio – RJ (Foto: Arquivo pessoal/ Facebook)

Allan Mesquita tweaked air

Allan Mesquita tweaked air

Tucknee no bowl da Inside Corner

Tucknee no bowl da Inside Corner

Fs handplant no bowl de Portão, Rio Grande do Sul (Foto: Daniel Nunes)

Fs handplant no bowl de Portão, Rio Grande do Sul (Foto: Daniel Nunes)

Allan Mesquita em Helsink na Finlândia (Foto: Cristian Saavedra)

Allan Mesquita em Helsink na Finlândia (Foto: Cristian Saavedra)

Momento pai e filha em grande estilo (Foto: Arquivo pessoal/ Facebook)

Momento pai e filha em grande estilo (Foto: Arquivo pessoal/ Facebook)