Marcos ET: 51 anos de história!

Marcos ET de rolê no quintal de casa (Foto: Giovanni Sacco)

Marcos ET de rolê no quintal de casa (Foto: Giovanni Sacco)

Chegar aos 51 anos andando de skate não é para qualquer um. E Marcos ET completa este feito com a empolgação de um menino que ganha pela primeira vez um skate. Sua história foi contada e marcada em páginas de revistas especializadas, parcerias, amigos e em cada rolê que fez durante esses anos. Confira a entrevista especial de aniversário dele e algumas histórias que marcaram a vida desse skatista que carrega na veia e na alma a verdadeira essência skateboard.

ET como é chegar aos 51 anos ainda dando aquele rolê de skate?

Pra mim é natural porque ando desde os 11 anos e, quando passei a viver da prática aos 23 anos, nunca mais parei. Cheguei a ficar anos andando de segunda a segunda e saindo todas as noites, só parava quando estava realmente quebrado. Skate é minha vida meu sangue, não me imagino parando e voltando depois de décadas. Para mim é impossível esta situação. O máximo que fiquei parado foi quando coloquei uma prótese no olho direito em 2011. Pra consagrar peguei uma infecção hospitalar que passou para o esquerdo também. Fiquei três meses e meio deitado com tampão nos olhos… Bad. Quando recebi sinal verde fui com tanta fome que me detonei… Skate and destroy!

Aos 51 anos ET continua com o skate na veia e na alma (Foto: Giovanni Sacco)

Aos 51 anos ET continua com o skate na veia e na alma (Foto: Giovanni Sacco)

Cara você já tem 40 anos de skateboard, já viu e acompanhou de perto a evolução do skate no Brasil. Conte como e quando você começou sua história no skate?

Comecei como quase todos moleques, montei um depois ganhei um de verdade em 1976. Nessa época minha mãe me levava para comprar revistas importadas no aeroporto. Meu primeiro rolê na praça Roosevelt foi em 1978, só que o skate entrou de verdade na minha vida na Ladeira da Morte em 88 e profissionalmente em 1989, meu primeiro ano como pro. Muitas viagens e demos, o skate me bancando, dream… Em 1990 poderia ser o ano que despontaria, fiz várias fotos para revista Skating, mas o sonho acabou, o skate brasileiro evaporava da noite para o dia. Mas eu estava lá. Ando todos os dias com o único pro da geração 80 que sobreviveu, Ari Bason. O resto é Tribo.

Durante esses anos de dedicação ao skate, o que ou quais foram as coisas que mais te marcaram?

Pra mim sempre será o primeiro champ que realizei. Final do Circuito UBS 92 AM, na pista de São Caetano do Sul. A grana era tão curta que o rango da organização foram uns dogs deliciosos que minha mãe fez… Pira Pro I e II, Andradas Vert Pro 96, esses momentos foram coletivos. Para o meu ego foi entrar na WidWood em 89, primeiro patro de marca grande e grana boa; EspaçonavedoET em 92; model de tênis QIX 97, que encheu o peito de orgulho; regresso a QIX em janeiro de 2013 ao lado do Yuppie, sonho total. Sim sou profissional de skateboard, é um sonho.

Na sessão (Foto: Arquivo pessoal)

Na sessão (Foto: Arquivo pessoal)

Um dos destaques da sua carreira foi a coluna #espaçonavedoet na revista Tribo Skate. Como surgiu esse convite, quais eram os assuntos que você gostava de abordar na coluna, fale um pouco dessa época.

Quando saiu a segunda edição o Bolota me perguntou se eu tinha gostado do título, cara nem sonhava em assinar uma coluna. O texto foi com o Fernadinho “Batman”. Na verdade nesse período eu fazia quase tudo, carregava pacotes de revistas para as lojas, escrevia, acompanhava os eventos, a parceria com a Tribo deu certo por anos, inclusive a editora foi em cima da minha loja MadCorner na Galeria Ouro Fino em Sampa entre 93/95. Os textos da #espaçonavedoet eram sobre qualquer assunto que surgisse na minha cabeça. Mas também colaborava com a revista inteira. A primeira entrevista com  várias páginas foi minha, com o Sandro Sobral. Chegou numa época que fazia uma matéria e a MTV ia no vácuo, Fábio Pen e Giulana “Gatinha”, Ricardinho Spock Plínio, matérias que mostravam o cotidiano dos profissionais. Também já fui chefe de redação, enfim era um membro ativo e pensante da revista.

Anúncio (Imagem: Print da revista)

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Ainda falando de Tribo você teve um anúncio publicado recentemente na edição comemorativa dos 25 anos da revista. Como foi fazer parte de mais essa história?

Integrar duas equipes com nomes de destaque mundiais é a consagração de um trabalho feito com paixão, sem estrelismo, mas com a natureza da concepção básica do skateboard. Na veia! Orgulho ser vinculado a QIX e a Tribo.

Street. transição... para Marcos ET o importante é andar de skate (Foto: Arquivo pessoal)

Street. transição… para Marcos ET o importante é andar de skate (Foto: Arquivo pessoal)

ET você anda em bowl, banks, minirrampa, não importa. O importante pra você é continuar curtindo a sessão. O que representa isso pra você?

Nunca fui de treinar manobra nenhuma, nem modalidade. O negócio sempre foi me divertir. Mas me sinto mais a vontade no street, onde foi minha escola verdadeira, Roosevelt, paredes, transições naturais, ladeiras. Aquela velha história, vento no rosto, liberdade, identidade.

Muitos skatistas sonham ter em casa uma pista de skate. E você conseguiu realizar mais esse projeto. Inclusive a sua pista foi construída em harmonia com toda a natureza que existe no quintal da sua casa. Fale um pouco sobre essa conquista. Era um sonho desde que você começou a andar de skate, como foi esse processo de construção?

Na verdade nunca nutri nenhuma vontade de ter rampa em house. Quando mudei pra Atibaia, a city não tinha pista, daí improvisei uma de madeira. Mas esta aqui é outra história, foi um grito de liberdade. Graças ao Danielzinho Arnoni, e sua genialidade, que criou uma área totalmente integrada ao terreno, que é meio inclinado e tem árvores imensas. Utilizou materiais recicláveis, mesclou um snake street bowl #madcornerramp. Meu refúgio. Ando todos os dias, entre as árvores ouvindo um punk rock, sem crowd, sem estresse, linhas fluidas e alternadas.

Colocando as manobras em dia no quintal de casa (Foto: Arquivo pessoal)

Colocando as manobras em dia no quintal de casa (Foto: Arquivo pessoal)

A sua parceria com a QIX já tem vários anos. O que significa pra você estar em uma empresa que também contribuiu para a evolução do skate no Brasil e continua na missão de investir no skateboard nacional?

Em outubro fazem 21 anos que entrei na QIX, entre idas e vindas. Acredito que seja uma parceria que sempre gerou frutos, no início em 95, quando fiz o primeiro campeonato da QIX em São Paulo na ZN Skate Park, assinando model de tênis, sendo o único profissional da marca em 98, participando do UBS Pro 98. A QIX sempre entendeu que o principal é o skatista, por isso sempre o tratou com total respeito, seja com produtos, campeonatos, concursos, a QIX sempre representou o ideal do skatista, que se traduziram nos QIX Pro que concedia carro ao campeão e, por vezes, para o segundo. Sem o convite do Ramon jamais poderia manter a chama acesa com tanto vigor. Sou eternamente grato! Resumindo QIX na veia 4ever!

Ramon, Marcos ET e Sergio Yuppie (Foto: Arquivo pessoa)

Ramon, Marcos ET e Sergio Yuppie (Foto: Arquivo pessoa)

Para finalizar…

É isso aí sou um cara que tem na prática do skateboard seu único objetivo hoje e sempre. Não nos louros da vitória ou manobra perfeita, mas na recompensa emocional, no cotidiano em cima do carrinho, sempre, sempre, sempre.

Assista ao vídeo que marcou a entrada do skatista na marca e confira algumas imagens do Marcos ET em diferentes sessões.

 

Marcos ET nas mídias (Imagem: Arquivo pessoal)

Marcos ET nas mídias (Imagem: Arquivo pessoal)

ET durante sessão (Foto: Arquivo pessoal)

ET durante sessão (Foto: Arquivo pessoal)

Marcos ET 51 anos, 40 de skate (Foto: Arquivo pessoal)

Marcos ET 51 anos, 40 de skate (Foto: Arquivo pessoal)

Marcos ET (Imagem: Arquivo pessoal)

Marcos ET (Imagem: Arquivo pessoal)

Marcos ET ainda na pegada do skateboard (Foto: Arquivo pessoal)

Marcos ET ainda na pegada do skateboard (Foto: Arquivo pessoal)

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